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Diário do ValeBETA
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Diário Delas · Quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O que os candidatos à Presidência propõem para as mulheres em 2026?

Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos apresentam propostas diferentes para violência, saúde, trabalho, maternidade e autonomia econômica

Diário do Vale · Edição 11.113 · Página 52.379 palavras · 12 min de leitura
Augusto Cury (Avante) dedica

um capítulo inteiro do programa à

Política Pública de Proteção às Mu-

lheres, estruturada principalmente

por meio do programa Mulheres

Vivas. A proposta parte do combate

à violência e reúne medidas de se-

gurança, proteção social, autono-

mia econômica e saúde emocional.

O programa prevê integração

entre tecnologia, forças de segu-

rança, atendimento psicológico, as-

sistência jurídica e proteção social.

Entre as medidas estão o acompa-

nhamento preventivo de mulheres

consideradas em situação de risco,

maior integração com os Juizados

de Violência Doméstica e Familiar e

o uso de botão de pânico ou siste-

mas de alerta com geolocalização.

A autonomia econômica é tra-

tada como parte da proteção con-

tra a violência. O documento prevê

empreendedorismo feminino, qua-

lificação profissional, incentivo à

presença de mulheres em posições

de liderança, transparência salarial

e mecanismos para reduzir desi-

gualdades no mercado de trabalho.

Também propõe educação finan-

ceira e mudanças nos modelos de

avaliação de risco para facilitar o

acesso feminino ao crédito.

Na saúde, Cury propõe atenção

preventiva, saúde mental, cuidado

materno-infantil, prevenção do

câncer, planejamento reprodutivo

e atendimento humanizado em di-

ferentes fases da vida. O programa

também relaciona redes sociais e

padrões de beleza à saúde emo-

cional de meninas e adolescentes,

propondo campanhas de conscien-

tização e educação emocional nas

escolas. Psiquiatra e escritor Augusto Cury é novato na política

País

As mulheres são maioria entre os eleitores brasileiros e estão no centro da disputa pelo voto em 2026. Os programas de governo dos candidatos, porém, tratam das demandas femininas de maneiras bastante diferentes. Há candidaturas que dedicam capítulos inteiros ao tema e outras que distribuem propostas relacionadas às mulheres em áreas como saúde, segurança, trabalho, assistência social e primeira infância.

O DIÁRIO DELAS comparou, nesta reportagem, os programas de governo de Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo

Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, seguindo o recorte editorial definido para a matéria. A análise considera as propostas apresentadas nos documentos de governo das candidaturas à Justiça Eleitoral e não declarações feitas separadamente em entrevistas, discursos ou eventos de campanha.

Flávio Bolsonaro (PL) concentra

boa parte das propostas destinadas

às mulheres no capítulo Brasil por

Elas, cujo texto apresenta a defesa da

autonomia feminina associada tam-

bém à possibilidade de escolher entre

dedicar-se ao cuidado do lar, trabalhar

ou conciliar as duas atividades.

Entre as principais medidas está a

criação da Central da Mulher, que reu-

niria atendimento jurídico e psicológico,

saúde preventiva, capacitação profis-

sional, encaminhamento para vagas

de emprego, orientação para empre-

endedorismo e crédito, regularização

de imóveis e acesso a benefícios. O

projeto prevê unidades fixas e móveis.

A candidatura também propõe

uma frente digital para esse aten-

dimento, com uma assistente de

inteligência artificial chamada ClarIA,

destinada a orientar mulheres sobre

medidas protetivas, mamografia, apoio

psicológico, emprego, crédito e aquisi-

ção da casa própria.

Na segurança, o programa prevê

integrar o Ligue 180, delegacias on-li-

ne, botões de emergência e centrais

de monitoramento, além de ampliar o

uso de tornozeleiras eletrônicas para

acompanhar agressores considerados

de maior risco. Flávio também defende

castração química para pessoas conde-

nadas por estupro e abuso de crianças,

além do monitoramento de agressores

submetidos a medidas protetivas.

Na área de trabalho e renda, es-

tão previstas uma escola gratuita de

capacitação feminina, com cursos em

áreas como inteligência artificial, pro-

gramação, marketing digital, finanças

e idiomas, e um sistema nacional de

intermediação de vagas. O programa

também prevê mecanismos para fa-

cilitar a obtenção da escritura da casa

própria em nome da mulher.

Para o cuidado, a candidatura

propõe ampliar a oferta de creches em

período integral e, quando não houver

vaga pública, oferecer voucher-creche

para utilização na rede privada creden-

ciada. Também está prevista uma Rede

Nacional de Cuidado voltada a idosos e

pessoas com deficiência.

Na saúde, o programa cita ações

de prevenção e acompanhamento

de câncer, menopausa, gestação,

endometriose e saúde bucal, além da

criação de unidades móveis de aten-

dimento às mueis de atendimento às

mulheres. Psiquiatra e escritor Augusto Cury é novato na política

Ronaldo Caiado (PSD) dedica o

Tema 19 de seu programa exclusiva-

mente às mulheres. O texto organiza

as propostas em quatro direitos:

viver sem violência, cuidar da saúde,

trabalhar e empreender com igual-

dade de oportunidades e participar

das decisões.

Na segurança, a candidatura pro-

põe um Pacto Nacional pelo Fim do

Feminicídio, com metas, protocolos

de avaliação de risco e integração

entre União, estados e municípios.

Também prevê um sistema nacional

de acompanhamento de medidas

protetivas, monitoramento eletrô-

nico de agressores de alto risco,

botões de emergência e patrulhas

especializadas.

O programa prevê ainda pro-

tocolos nacionais de investigação

para casos de feminicídio, estupro

e violência sexual, além de maior

integração entre polícia e serviços de

saúde. Para mulheres vítimas de vio-

lência, propõe casas de acolhimento

e centros que concentrem atendi-

mento policial, jurídico, psicossocial

e de saúde.

A proteção econômica também

aparece como instrumento para

romper ciclos de violência. Entre as

propostas estão renda temporária,

aluguel, acesso a creche, qualificação

profissional, trabalho e crédito prio-

ritário para mulheres com medida

protetiva e seus dependentes.

Na saúde, o programa inclui pla-

nejamento reprodutivo, pré-natal,

parto, puerpério, câncer de mama e

colo do útero, endometriose, clima-

tério, menopausa e saúde mental.

A mortalidade materna também é

tratada como prioridade, com aten-

ção a mulheres negras, indígenas e

residentes em áreas remotas.

Caiado também propõe ampliar

creches e serviços destinados a ido-

sos e pessoas com deficiência, além

de medidas para favorecer a per-

manência de gestantes, puérperas e

estudantes com filhos na educação.

No mercado de trabalho, aparecem

igualdade salarial, incentivos ao

retorno profissional após a materni-

dade, combate ao assédio, crédito e

empreendedorismo feminino.

A candidatura ainda inclui pro-

postas de combate à violência po-

lítica de gênero, formação de can-

didatas e fiscalização das regras de

financiamento eleitoral.

Romeu Zema (Novo) concentra as

propostas especificamente voltadas às

mulheres principalmente nas áreas de

segurança pública e saúde.

Na segurança, o programa estabe-

lece como objetivo reduzir a subnotifica-

ção e a reincidência de casos de violência

contra a mulher. Entre as medidas estão

a ampliação da rede de Delegacias da

Mulher com funcionamento 24 horas e

equipes preferencialmente femininas

capacitadas para atender casos de vio-

lência de gênero.

O documento também prevê maior

integração entre saúde, segurança e

delegacias, além da expansão das Patru-

lhas Maria da Penha, Salas Lilás, casas-

-abrigo, centros de referência e outros

serviços de acolhimento para vítimas de

violência doméstica.

Na saúde, Zema propõe garantir

acompanhamento pré-natal completo a

todas as gestantes, independentemente

da região do país, com consultas e exa-

mes destinados a prevenir complicações

durante o parto.

O acesso a creches e pré-escolas

também aparece no programa, com ex-

pansão da rede pública e parcerias com

instituições privadas e comunitárias.

O documento, porém, apresenta essa

medida como uma política de primeira

infância, e não especificamente como

uma ação voltada às mulheres.

A comparação mostra que as

candidaturas adotam caminhos

distintos para tratar das ques-

tões que afetam as mulheres.

Lula distribui sua agenda

entre combate à violência, igual-

dade no trabalho, autonomia

econômica, saúde, direitos se-

xuais e reprodutivos e políticas

de cuidado. Flávio Bolsonaro

concentra propostas no Brasil

por Elas, combinando proteção, autonomia financeira, creches, saúde e ferramentas digitais.

Augusto Cury apresenta um

programa específico para mu-

lheres com forte ênfase na pre-

venção da violência, autonomia

econômica e saúde emocional.

Ronaldo Caiado também possui

um eixo exclusivo e reúne com-

bate ao feminicídio, proteção

econômica, saúde, trabalho e

participação política.

Romeu Zema concentra suas

propostas específicas principal-

mente na estrutura de atendi-

mento às vítimas de violência e

na saúde materna. Renan San-

tos não possui um eixo próprio

para mulheres e trata as ques-

tões que podem alcançá-las

dentro de políticas gerais.

Os programas de governo

representam compromissos

eleitorais. A eventual execu-

ção das medidas dependerá,

conforme cada proposta, de

orçamento, regulamentação,

articulação entre União, estados

e municípios e, em alguns casos,

aprovação do Congresso Nacio-

nal. Os programas de governo

dos candidatos estão disponí-

veis na base de divulgação de

candidaturas e contas eleitorais

do Tribunal Superior Eleitoral.

O programa de Luiz Inácio Lula

da Silva (PT) distribui as políticas para

mulheres entre combate à violência,

autonomia econômica, trabalho, saúde

e cuidados. O documento afirma que

pretende ampliar políticas de proteção,

combater o machismo, o sexismo e

o feminicídio, promover autonomia

econômica e garantir direitos sexuais e

reprodutivos.

Na área de segurança, o progra-

ma prevê a continuidade do Pacto

de Enfrentamento ao Feminicídio, a

ampliação da rede de proteção, a con-

clusão de Casas da Mulher Brasileira

e Centros de Referência, a expansão

das Salas Lilás e o aprimoramento do

monitoramento de agressores. Tam-

bém está prevista a continuidade da

capacitação das forças de segurança

para o atendimento às vítimas.

No trabalho e na renda, Lula pro-

põe a continuidade da aplicação da Lei

da Igualdade Salarial, a ampliação de

linhas de crédito para agricultoras e ex-

trativistas e de programas de qualifica-

ção profissional, como o Mulheres Mil.

O documento também prevê in-

centivo ao empreendedorismo femi-

nino e à participação das mulheres na

ciência e na pesquisa, além de planos

de ação obrigatórios para empresas

nas quais sejam identificadas desigual-

dades, com metas progressivas para

reduzir disparidades salariais e ampliar

a presença feminina.

O cuidado aparece como política

pública. O programa propõe fortalecer

a Política Nacional de Cuidados, basea-

da na responsabilidade compartilhada

entre Estado, sociedade, homens e

mulheres. Entre as medidas citadas

estão a ampliação das Cuidotecas, la-

vanderias públicas, cozinhas solidárias

e restaurantes populares.

Na saúde, estão previstas ações

relacionadas aos cânceres de mama e

colo do útero, endometriose e outras

doenças ginecológicas. O programa

também defende o planejamento re-

produtivo, com distribuição gratuita de

contraceptivos pelo SUS, e a ampliação

do Programa Dignidade Menstrual. A

redução da mortalidade materna apa-

rece com atenção especial às mulheres

negras e às que vivem em áreas rurais, no campo, nas florestas e nas águas.

O documento menciona expressa-

mente direitos sexuais e reprodutivos,

mas não utiliza a palavra “aborto” no

texto apresentado à Justiça Eleitoral.

Lula tenta a reeleição

mpliar

a ido-

além

per-

eras e

ação.

ecem

os ao

terni-

dito e

pro-

a po-

can-

as de

aiado já foi governador do estado de Goiás

Zema abriu mão do governo de Minas Gerais para tentar a cadeira da Presidência da República

O programa de Renan Santos

(Missão), o Livro Amarelo, não apre-

senta um capítulo específico dedicado

às mulheres. No documento de 51

páginas, as referências diretas às

mulheres aparecem de forma pontual,

incluindo duas menções genéricas no

prefácio e uma no capítulo dedicado

à saúde, que cita as mulheres entre

os grupos especialmente insatisfeitos

com os serviços do setor.

Nesse diagnóstico, a candidatura

afirma que as dificuldades para con-

seguir atendimento estão entre os

problemas mais mencionados pela

população, especialmente pelas mu-

lheres. As soluções propostas, porém,

são gerais, envolvendo mudanças na

gestão do SUS e no sistema de filas,

sem medidas específicas para a saúde

feminina.

As creches também aparecem

no programa, mas dentro de políticas

gerais. Uma das propostas prevê pre-

servar e fortalecer escolas, postos de

saúde e creches em municípios sub-

metidos a reorganização administra-

tiva. Em outro trecho, as creches são

incluídas entre os serviços públicos

obrigatórios de novos bairros.

O documento analisado não men-

ciona feminicídio, aborto, violência

doméstica ou maternidade. Portanto,

a caracterização mais precisa é que

Renan Santos não apresenta um eixo

específico de políticas para mulheres,

embora algumas de suas propostas

gerais possam alcançar diretamente a

vida feminina.

Fora do programa registrado

na Justiça Eleitoral, Renan Santos já

defendeu o aumento das penas para

crimes cometidos contra mulheres

e afirmou que pretende incluir a

violência contra a mulher entre os

indicadores utilizados para avaliar a

gestão de estados e municípios. Se-

gundo o candidato, o governo federal

atuaria nessa área por meio de metas

e mecanismos de cobrança, enquanto

a execução das políticas de segurança

caberia principalmente aos estados e

municípios.

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Renan Santos é o mais novo entre os principais presidenciáveis, com 42 anos

Recorte da página 5 da edição 11.113
Como saiu no impresso — página 5 da edição 11.113. Abrir a página inteira ›

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