O que os candidatos à Presidência propõem para as mulheres em 2026?
Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos apresentam propostas diferentes para violência, saúde, trabalho, maternidade e autonomia econômica
um capítulo inteiro do programa à
Política Pública de Proteção às Mu-
lheres, estruturada principalmente
por meio do programa Mulheres
Vivas. A proposta parte do combate
à violência e reúne medidas de se-
gurança, proteção social, autono-
mia econômica e saúde emocional.
O programa prevê integração
entre tecnologia, forças de segu-
rança, atendimento psicológico, as-
sistência jurídica e proteção social.
Entre as medidas estão o acompa-
nhamento preventivo de mulheres
consideradas em situação de risco,
maior integração com os Juizados
de Violência Doméstica e Familiar e
o uso de botão de pânico ou siste-
mas de alerta com geolocalização.
A autonomia econômica é tra-
tada como parte da proteção con-
tra a violência. O documento prevê
empreendedorismo feminino, qua-
lificação profissional, incentivo à
presença de mulheres em posições
de liderança, transparência salarial
e mecanismos para reduzir desi-
gualdades no mercado de trabalho.
Também propõe educação finan-
ceira e mudanças nos modelos de
avaliação de risco para facilitar o
acesso feminino ao crédito.
Na saúde, Cury propõe atenção
preventiva, saúde mental, cuidado
materno-infantil, prevenção do
câncer, planejamento reprodutivo
e atendimento humanizado em di-
ferentes fases da vida. O programa
também relaciona redes sociais e
padrões de beleza à saúde emo-
cional de meninas e adolescentes,
propondo campanhas de conscien-
tização e educação emocional nas
escolas. Psiquiatra e escritor Augusto Cury é novato na política
País
As mulheres são maioria entre os eleitores brasileiros e estão no centro da disputa pelo voto em 2026. Os programas de governo dos candidatos, porém, tratam das demandas femininas de maneiras bastante diferentes. Há candidaturas que dedicam capítulos inteiros ao tema e outras que distribuem propostas relacionadas às mulheres em áreas como saúde, segurança, trabalho, assistência social e primeira infância.
O DIÁRIO DELAS comparou, nesta reportagem, os programas de governo de Lula, Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Ronaldo
Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, seguindo o recorte editorial definido para a matéria. A análise considera as propostas apresentadas nos documentos de governo das candidaturas à Justiça Eleitoral e não declarações feitas separadamente em entrevistas, discursos ou eventos de campanha.
Flávio Bolsonaro (PL) concentra
boa parte das propostas destinadas
às mulheres no capítulo Brasil por
Elas, cujo texto apresenta a defesa da
autonomia feminina associada tam-
bém à possibilidade de escolher entre
dedicar-se ao cuidado do lar, trabalhar
ou conciliar as duas atividades.
Entre as principais medidas está a
criação da Central da Mulher, que reu-
niria atendimento jurídico e psicológico,
saúde preventiva, capacitação profis-
sional, encaminhamento para vagas
de emprego, orientação para empre-
endedorismo e crédito, regularização
de imóveis e acesso a benefícios. O
projeto prevê unidades fixas e móveis.
A candidatura também propõe
uma frente digital para esse aten-
dimento, com uma assistente de
inteligência artificial chamada ClarIA,
destinada a orientar mulheres sobre
medidas protetivas, mamografia, apoio
psicológico, emprego, crédito e aquisi-
ção da casa própria.
Na segurança, o programa prevê
integrar o Ligue 180, delegacias on-li-
ne, botões de emergência e centrais
de monitoramento, além de ampliar o
uso de tornozeleiras eletrônicas para
acompanhar agressores considerados
de maior risco. Flávio também defende
castração química para pessoas conde-
nadas por estupro e abuso de crianças,
além do monitoramento de agressores
submetidos a medidas protetivas.
Na área de trabalho e renda, es-
tão previstas uma escola gratuita de
capacitação feminina, com cursos em
áreas como inteligência artificial, pro-
gramação, marketing digital, finanças
e idiomas, e um sistema nacional de
intermediação de vagas. O programa
também prevê mecanismos para fa-
cilitar a obtenção da escritura da casa
própria em nome da mulher.
Para o cuidado, a candidatura
propõe ampliar a oferta de creches em
período integral e, quando não houver
vaga pública, oferecer voucher-creche
para utilização na rede privada creden-
ciada. Também está prevista uma Rede
Nacional de Cuidado voltada a idosos e
pessoas com deficiência.
Na saúde, o programa cita ações
de prevenção e acompanhamento
de câncer, menopausa, gestação,
endometriose e saúde bucal, além da
criação de unidades móveis de aten-
dimento às mueis de atendimento às
mulheres. Psiquiatra e escritor Augusto Cury é novato na política
Ronaldo Caiado (PSD) dedica o
Tema 19 de seu programa exclusiva-
mente às mulheres. O texto organiza
as propostas em quatro direitos:
viver sem violência, cuidar da saúde,
trabalhar e empreender com igual-
dade de oportunidades e participar
das decisões.
Na segurança, a candidatura pro-
põe um Pacto Nacional pelo Fim do
Feminicídio, com metas, protocolos
de avaliação de risco e integração
entre União, estados e municípios.
Também prevê um sistema nacional
de acompanhamento de medidas
protetivas, monitoramento eletrô-
nico de agressores de alto risco,
botões de emergência e patrulhas
especializadas.
O programa prevê ainda pro-
tocolos nacionais de investigação
para casos de feminicídio, estupro
e violência sexual, além de maior
integração entre polícia e serviços de
saúde. Para mulheres vítimas de vio-
lência, propõe casas de acolhimento
e centros que concentrem atendi-
mento policial, jurídico, psicossocial
e de saúde.
A proteção econômica também
aparece como instrumento para
romper ciclos de violência. Entre as
propostas estão renda temporária,
aluguel, acesso a creche, qualificação
profissional, trabalho e crédito prio-
ritário para mulheres com medida
protetiva e seus dependentes.
Na saúde, o programa inclui pla-
nejamento reprodutivo, pré-natal,
parto, puerpério, câncer de mama e
colo do útero, endometriose, clima-
tério, menopausa e saúde mental.
A mortalidade materna também é
tratada como prioridade, com aten-
ção a mulheres negras, indígenas e
residentes em áreas remotas.
Caiado também propõe ampliar
creches e serviços destinados a ido-
sos e pessoas com deficiência, além
de medidas para favorecer a per-
manência de gestantes, puérperas e
estudantes com filhos na educação.
No mercado de trabalho, aparecem
igualdade salarial, incentivos ao
retorno profissional após a materni-
dade, combate ao assédio, crédito e
empreendedorismo feminino.
A candidatura ainda inclui pro-
postas de combate à violência po-
lítica de gênero, formação de can-
didatas e fiscalização das regras de
financiamento eleitoral.
Romeu Zema (Novo) concentra as
propostas especificamente voltadas às
mulheres principalmente nas áreas de
segurança pública e saúde.
Na segurança, o programa estabe-
lece como objetivo reduzir a subnotifica-
ção e a reincidência de casos de violência
contra a mulher. Entre as medidas estão
a ampliação da rede de Delegacias da
Mulher com funcionamento 24 horas e
equipes preferencialmente femininas
capacitadas para atender casos de vio-
lência de gênero.
O documento também prevê maior
integração entre saúde, segurança e
delegacias, além da expansão das Patru-
lhas Maria da Penha, Salas Lilás, casas-
-abrigo, centros de referência e outros
serviços de acolhimento para vítimas de
violência doméstica.
Na saúde, Zema propõe garantir
acompanhamento pré-natal completo a
todas as gestantes, independentemente
da região do país, com consultas e exa-
mes destinados a prevenir complicações
durante o parto.
O acesso a creches e pré-escolas
também aparece no programa, com ex-
pansão da rede pública e parcerias com
instituições privadas e comunitárias.
O documento, porém, apresenta essa
medida como uma política de primeira
infância, e não especificamente como
uma ação voltada às mulheres.
A comparação mostra que as
candidaturas adotam caminhos
distintos para tratar das ques-
tões que afetam as mulheres.
Lula distribui sua agenda
entre combate à violência, igual-
dade no trabalho, autonomia
econômica, saúde, direitos se-
xuais e reprodutivos e políticas
de cuidado. Flávio Bolsonaro
concentra propostas no Brasil
por Elas, combinando proteção, autonomia financeira, creches, saúde e ferramentas digitais.
Augusto Cury apresenta um
programa específico para mu-
lheres com forte ênfase na pre-
venção da violência, autonomia
econômica e saúde emocional.
Ronaldo Caiado também possui
um eixo exclusivo e reúne com-
bate ao feminicídio, proteção
econômica, saúde, trabalho e
participação política.
Romeu Zema concentra suas
propostas específicas principal-
mente na estrutura de atendi-
mento às vítimas de violência e
na saúde materna. Renan San-
tos não possui um eixo próprio
para mulheres e trata as ques-
tões que podem alcançá-las
dentro de políticas gerais.
Os programas de governo
representam compromissos
eleitorais. A eventual execu-
ção das medidas dependerá,
conforme cada proposta, de
orçamento, regulamentação,
articulação entre União, estados
e municípios e, em alguns casos,
aprovação do Congresso Nacio-
nal. Os programas de governo
dos candidatos estão disponí-
veis na base de divulgação de
candidaturas e contas eleitorais
do Tribunal Superior Eleitoral.
O programa de Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) distribui as políticas para
mulheres entre combate à violência,
autonomia econômica, trabalho, saúde
e cuidados. O documento afirma que
pretende ampliar políticas de proteção,
combater o machismo, o sexismo e
o feminicídio, promover autonomia
econômica e garantir direitos sexuais e
reprodutivos.
Na área de segurança, o progra-
ma prevê a continuidade do Pacto
de Enfrentamento ao Feminicídio, a
ampliação da rede de proteção, a con-
clusão de Casas da Mulher Brasileira
e Centros de Referência, a expansão
das Salas Lilás e o aprimoramento do
monitoramento de agressores. Tam-
bém está prevista a continuidade da
capacitação das forças de segurança
para o atendimento às vítimas.
No trabalho e na renda, Lula pro-
põe a continuidade da aplicação da Lei
da Igualdade Salarial, a ampliação de
linhas de crédito para agricultoras e ex-
trativistas e de programas de qualifica-
ção profissional, como o Mulheres Mil.
O documento também prevê in-
centivo ao empreendedorismo femi-
nino e à participação das mulheres na
ciência e na pesquisa, além de planos
de ação obrigatórios para empresas
nas quais sejam identificadas desigual-
dades, com metas progressivas para
reduzir disparidades salariais e ampliar
a presença feminina.
O cuidado aparece como política
pública. O programa propõe fortalecer
a Política Nacional de Cuidados, basea-
da na responsabilidade compartilhada
entre Estado, sociedade, homens e
mulheres. Entre as medidas citadas
estão a ampliação das Cuidotecas, la-
vanderias públicas, cozinhas solidárias
e restaurantes populares.
Na saúde, estão previstas ações
relacionadas aos cânceres de mama e
colo do útero, endometriose e outras
doenças ginecológicas. O programa
também defende o planejamento re-
produtivo, com distribuição gratuita de
contraceptivos pelo SUS, e a ampliação
do Programa Dignidade Menstrual. A
redução da mortalidade materna apa-
rece com atenção especial às mulheres
negras e às que vivem em áreas rurais, no campo, nas florestas e nas águas.
O documento menciona expressa-
mente direitos sexuais e reprodutivos,
mas não utiliza a palavra “aborto” no
texto apresentado à Justiça Eleitoral.
Lula tenta a reeleição
mpliar
a ido-
além
per-
eras e
ação.
ecem
os ao
terni-
dito e
pro-
a po-
can-
as de
aiado já foi governador do estado de Goiás
Zema abriu mão do governo de Minas Gerais para tentar a cadeira da Presidência da República
O programa de Renan Santos
(Missão), o Livro Amarelo, não apre-
senta um capítulo específico dedicado
às mulheres. No documento de 51
páginas, as referências diretas às
mulheres aparecem de forma pontual,
incluindo duas menções genéricas no
prefácio e uma no capítulo dedicado
à saúde, que cita as mulheres entre
os grupos especialmente insatisfeitos
com os serviços do setor.
Nesse diagnóstico, a candidatura
afirma que as dificuldades para con-
seguir atendimento estão entre os
problemas mais mencionados pela
população, especialmente pelas mu-
lheres. As soluções propostas, porém,
são gerais, envolvendo mudanças na
gestão do SUS e no sistema de filas,
sem medidas específicas para a saúde
feminina.
As creches também aparecem
no programa, mas dentro de políticas
gerais. Uma das propostas prevê pre-
servar e fortalecer escolas, postos de
saúde e creches em municípios sub-
metidos a reorganização administra-
tiva. Em outro trecho, as creches são
incluídas entre os serviços públicos
obrigatórios de novos bairros.
O documento analisado não men-
ciona feminicídio, aborto, violência
doméstica ou maternidade. Portanto,
a caracterização mais precisa é que
Renan Santos não apresenta um eixo
específico de políticas para mulheres,
embora algumas de suas propostas
gerais possam alcançar diretamente a
vida feminina.
Fora do programa registrado
na Justiça Eleitoral, Renan Santos já
defendeu o aumento das penas para
crimes cometidos contra mulheres
e afirmou que pretende incluir a
violência contra a mulher entre os
indicadores utilizados para avaliar a
gestão de estados e municípios. Se-
gundo o candidato, o governo federal
atuaria nessa área por meio de metas
e mecanismos de cobrança, enquanto
a execução das políticas de segurança
caberia principalmente aos estados e
municípios.
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Renan Santos é o mais novo entre os principais presidenciáveis, com 42 anos

